Quarta 20 Junho 2018,
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Governo de Minas é inchado e tem alergia a austeridade

Dinis Pinheiro diz que sua filiação ao Solidariedade ‘está caminhando’, fala de suas viagens pelo interior Estado para costurar alianças para uma possível candidatura ao governo e faz críticas à atual gestão de Pimentel

Dinis Pinheiro

ex-Deputado estadual e ex-presidente da Assembleia Legislativa de Minas gerais

Em entrevista à rádio Super Notícia FM, o ex-parlamentar diz que sua filiação ao Solidariedade “está caminhando”, fala de suas viagens pelo interior Estado para costurar alianças para uma possível candidatura ao governo e faz críticas à atual gestão de Pimentel.

A pré-candidatura já está confirmada?

Eu continuo sonhando com uma Minas diferente. Eu acho que Minas está precisando de uma agenda de crescimento e de competitividade, e a vida política, não só em Minas, mas também no Brasil, está precisando de um novo padrão ético e moral. O meu esforço se deve tão somente à preocupação de mudar e reconstruir Minas Gerais, de resgatar novos valores e fazer com que o mineiro possa se reencontrar com a autoconfiança, com a esperança e com o sonho. E que Minas possa percorrer a estrada do crescimento, um crescimento vigoroso, consistente, sustentável e que possa ofertar a todos justiça social. Esse é o meu desejo, de verdade.

O senhor tem percorrido o Estado, tem conversado com prefeitos e vereadores. Recentemente, o senhor deixou o PP, e, nos bastidores, o que se fala é que o senhor vai se filar ao Solidariedade (SD). Como estão essa costura e esse contato com os políticos e com o eleitor do interior?

Isso é verdade. Aliás, a minha vida é assim: desde que eu cheguei ao Parlamento, eu sempre fiz questão de ter essa relação de proximidade, respeito e fraternidade. Até porque eu considero que a política é um exercício permanente de dignidade e de respeito ao povo. Essas viagens me proporcionam momentos muito nobres e gratificantes. É quando eu tenho contato com as pessoas, que eu posso olhar para as pessoas, para os mais pobres, para os trabalhadores, para os empresários, para os comerciantes. O bom político é isso, tem que ter bom ouvido para ouvir, mas, muito mais do que isso, ele tem que ter coração para escutar. É assim que eu sigo, essa é a minha trajetória de vida.

E sobre o Solidariedade?

Está caminhando, é uma boa opção, um partido recém-criado. Aliás, haja ideologia para tantos partidos no Brasil, o povo está cansado. Os partidos, em grande parte, têm agregado tão somente interesses, se distanciando de valores. E é por isso que o Brasil está essa barafunda, essa confusão. E com essa perda de credibilidade dos nossos partidos, dos nossos poderes e das nossas instituições, infelizmente, eles perderam a dignidade.

O governo do Estado passa por uma fase muito difícil, com atrasos de salários, de repasses do ICMS e do IPVA. O que, em sua opinião, tem que ser feito para colocar as contas do Estado em dia?

A sustentabilidade fiscal de Minas está comprometida, as contas públicas estão comprometidas. O governador, não quero reprovar a sua boa intenção, não teve a capacidade administrativa e o zelo administrativo necessários para reconstruir Minas Gerais. Esse governo, tanto o daqui quanto o do Brasil, é um governo pesado, inchado, obeso, perdulário, ineficiente e que tem alergia a austeridade. A primeira coisa que tem que fazer em Minas Gerais é arrumar a casa. Não tem milagre do ponto de vista econômico. Hoje, tem 23 secretarias, salvo engano, tem que ter no máximo dez, tem que acabar com esses cargos comissionados. Eu duvido que tem algum economista que possa levar Minas Gerais a pleno desenvolvimento se não tiver austeridade, se não acabar com o privilégio.

Quais os partidos que mais se aproximam desse seu ponto de vista? Hoje em dia, o apoio do PSDB é bem-vindo, levando em consideração que alguns pré-candidatos têm tentado se afastar da imagem do senador Aécio Neves?

A prioridade para mim não é partido. Questão partidária não é muito meu forte, não. Eu acho que todo mundo tem sua importância, apesar de os nossos partidos estarem muito distantes desses valores que a gente cultiva, da ética, da decência, da retidão, da vergonha na cara. Eu acho que todos são importantes nesse processo de reconstrução de Minas e do nosso país.

Para se fazer uma campanha, as alianças são importantes e necessárias. O senhor mantém uma proximidade com o ex-prefeito Marcio Lacerda, que é também pré-candidato ao governo de Minas. Isso fez com que alguns tucanos considerassem o senhor um ex-aliado. O senhor foi um fiel da balança quando presidente da Assembleia, na época do governo Anastasia. Como o senhor considera essa avaliação?

Cumpri meu dever como presidente da ALMG, como empregado dos mineiros. Com muito esforço nós conseguimos dar à ALMG outra dimensão, uma Casa ética, verdadeira, missionária, que cuidou dos pobres e que foi exemplar. Uma Casa de atitudes, e, aliás, o maior pacote ético da ALMG foi implantado nesse momento. Nós acabamos com o pagamento do 14º e do 15º salários dos deputados, com o pagamento das sessões extraordinárias e do auxílio-moradia, acabamos com o voto secreto. Agora, converso com todos os partidos, tenho relação de fraternidade e respeito com todos os partidos. Eu estou aqui apresentando ideias novas, revolucionárias e vencedoras a favor de Minas. Então, quem quiser vir, que venha, que eu recebo de bom grado.

Como será montada a chapa que disputará o governo de Minas?

Converso muito com o Marcio Lacerda (ex-prefeito de Belo Horizonte), com o Alberto Pinto Coelho (ex-governador de Minas). O Marcio Lacerda tem uma vida limpa, decente, ele não rouba e não deixa roubar. Atualmente, eu nunca vi tanta lambança, tanta confusão. Muita gente que está no poder, a maioria desses políticos, está enfeitiçada pelo poder, pela riqueza, pela corrupção. Chega, basta! Os políticos não podem mais errar. A nossa crise é de valores e de virtudes. O que nós mais precisamos é de ética e de vergonha. O meu sonho é que a vida política seja conduzida com lisura e com ética, com a ausência de privilégios e com respeito ao dinheiro suado do cidadão. Governo bom tem que ter compromisso permanentes com a saúde, com a educação, com a segurança e com a justiça.

Dos nomes que estão postos como pré-candidatos para a Presidência, com qual o senhor mais simpatiza?

Sinceramente, eu não fiz uma escolha. Mas eu vejo com bons olhos o Geraldo Alckmin (PSDB), pessoa firme, sensata, equilibrada, experiente, uma pessoa que tem coragem moral para fazer o que é certo. Foi governador de São Paulo por quatro vezes, saneou o Estado, fez as reformas estruturantes e necessárias para revitalizar São Paulo e colocá-lo na estrada do desenvolvimento. Estou vendo o Ciro (Gomes), que, às vezes, é destemperado, mas é uma pessoa que estuda o Brasil com profundidade, uma pessoa altamente qualificada, que também não tem rabo preso com ninguém. Vamos com calma, com fidelidade. Vamos escolher um caminho diferente para o Brasil.

O senhor abriria mão da cabeça de chapa para fazer uma composição com Marcio Lacerda?

Eu penso sempre em Minas, é prioridade. Eu sou movido pela aspiração, não sou movido pela ambição. Essa questão majoritária não depende só de você. Eu sou esforçado, eu sou um cara de luta, de coragem, de devoção. Agora, essa questão majoritária decorre de um processo natural de conversa. Eu estou aqui para servir Minas. Esse é o meu propósito, essa é a minha missão. Servir Minas Gerais, reconstruir Minas Gerais, deixar bons exemplos, deixar boas marcas.

Seja como candidato a governador ou como candidato ao Senado, por exemplo?

O que dignifica o ser humano é o trabalho. Pode me dar qualquer missão, que eu vou exercê-la com brio, com brilho e com vergonha na cara, com decência. Isso aí eu não tenho dúvida, até porque a minha vida sempre foi assim. Não é fácil você chegar aos 26 anos na ALMG, foi uma campanha pobre, franciscana, modesta. Não é fácil ser duas vezes o deputado mais votado da história de Minas. Foi com coragem, na persistência, perseverança, foi com o suor do meu rosto e com o exemplo pessoal dos meus saudosos pais. Foi assim que eu construí a vida, tijolinho por tijolinho, muito suada.

PUBLICADO EM 13/03/18 – http://www.otempo.com.br

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