Eustáquio Amaral

PRIMEIRA COLUNA

(eaamaral@hotmail.com)

12 de Março de 2010

UM POUCO DE HISTÓRIA DA POLÍTICA PATROCINENSE

Tempo. É diminuto para este escriba. Por isso, às vezes, o autor é obrigado a recorrer ao arquivo. E recordar. Para que a geração atual conheça o que de bom Patrocínio já teve. Na política, há diversos exemplos de eficácia, bondade e sobretudo, probidade. A seguir, a reprodução da exitosa coluna “De Volta ao Passado”, publicada na edição de março de 1997 da Revista Presença. Há treze anos... Época que vieram à cidade o Governador, o Vice-Governador, dois Ministros do Governo Federal e diversos deputados. Todos juntos para uma solenidade. Bons dias que não voltam mais.

1760: Patrocínio é Goiás – Padre Félix José Soares, português, foragido da capital, Mariana, chega a Desemboque (hoje, município de Sacramento), que torna-se a 2ª comarca de Minas. Pouco depois, com petição assinada por diversas pessoas da região, dirige-se à Vila Boa de Goiás, quando pede a anexação dos Sertões da Farinha Podre (Triângulo e Alto Paranaíba) à Capitania de Goiás. Obtem sucesso. Ele alega que em Goiás não tem cobrança do quinto (mas é só em gado).

1816: Patrocínio volta a Minas – No dia 4 de abril, por meio de alvará do Rei D. João VI, a região retorna a Capitania de Minas Gerais. A Comarca de Paracatu (sede da Ouvidoria), criada em 1815, possui a jurisdição dos julgados de Desemboque e São Domingos do Araxá (a quem Patrocínio pertencia). A versão mais aceita sobre a volta da região para Minas diz que D. Beja tem atuação decisiva. Anos antes, ela foi raptada pelo Ouvidor Joaquim Inácio da Mota, em uma de suas visitas a Araxá. Jovem,sedutora, bonita, inteligente, Ana Jacinta mora com ouvidor em Paracatu desde então.

1870: Veneno – Nas fazendas da região, os escravos bebem muito leite para reporem as energias. Mas economicamente é desvantagem para os fazendeiros, que precisam vender a sua produção leiteira. Como os negros gostam muito de manga, os fazendeiros criam a solução para o problema. Incentivam os escravos a comerem manga e espalham que a manga com leite mata. Dá indigestão mortal (esta versão polêmica perdura por um século).

1930: Mudança – Os municípios deixam de ser administrados por agentes executivos passando para prefeito. Em Patrocínio, o último agente executivo, que também é presidente da Câmara Municipal, é João Pereira de Melo (jornalista e rábula). O primeiro prefeito, nomeado, é Francisco Batista de Matos.

1945: Primeira Vez – Durante o Estado Novo do presidente Getúlio Vargas, o jovem médico Amir Amaral é nomeado prefeito de Patrocínio. Benedito Valadares é o governador. Permanece como prefeito até 1947 (em 1946, junto com João Alves do Nascimento, funda o lendário PSD patrocinense).

1951: Segunda Vez – Em janeiro, Amir Amaral é empossado prefeito e José Francisco Queiroz (oriundo de Carmo do Paranaíba) vice-prefeito. Ambos tinham sido eleitos em 3 de outubro de 1950, pelo PSD, que venceu a UDN. A administração de Amir é taxada de progressista. Tanto é que a cidade o chama de “o JK de Patrocínio”. Melhorias significativas no serviço elétrico municipal, começo da pavimentação das vias urbanas, construção da Praça de Esportes (hoje, PTC), construção da primeira Rodoviária (hoje, Policlínica) e, construção da Escola João Beraldo, dentre outras obras, sacodem Patrocínio.

1955: Terceira Vez – Na eleição de 3 de outubro de 1954, um fato inédito ocorre na política de Patrocínio. Devido ao excelente governo de Dr. Amir, o PSD torna-se imbatível. Diante disso, a UDN faz acordo com o PSD e não apresenta candidatos, desde que Amir continuasse à frente da nova administração. Como não há reeleição, mas há o voto em separado para prefeito e vice (podia-se votar no candidato para prefeito de um partido e para vice-prefeito de outro partido), a saída encontrada é colocar o prefeito Amir Amaral como candidato a vice-prefeito.
Seu companheiro Mário Alves do Nascimento é candidato a prefeito. Eles vencem as eleições, tomam posse dia 31 de janeiro de 1955 e Dr. Amir permanece no comando do executivo municipal, exercendo o papel pleno de prefeito, até 31 de janeiro de 1959.

1963: Quarta Vez – Depois da UDN ter vencido as eleições municipais pela primeira vez, com Enéas Aguiar e Benedito Romão de Melo (outubro de 1958), o PSD reconquista a Prefeitura, outra vez por meio de Mário Alves do Nascimento (prefeito) e Amir Amaral (vice-prefeito). Eles vencem Alaor Ribeiro de Paiva e Paulo Constantino, da UDN (este, posteriormente, torna-se prefeito e maior político de Presidente Prudente–SP). Nesse mandato (1963-1967), Amir Amaral exerce o papel de vice-prefeito mesmo. Inclusive, em 1965, ainda como vice, transfere residência para Brasília (isto é um pouco da saga do político que mais venceu eleições municipais em Patrocínio e o segundo que mais governou).
O prefeito que mais tempo governou foi seu primo Afrânio Amaral, dois mandatos nomeados e um eleito, totalizando 11 anos. (Amir Amaral governou 10 anos. Portanto, a família Amaral governou Patrocínio por 21 anos, com reconhecido êxito).

26 de Fevereiro de 2010

PRIMEIRA COLUNA

Eustáquio Amaral


A LIÇÃO DO BÊ-Á-BÁ

Eleições. O maior ato da democracia. Pelo visto, Patrocínio não aprendeu. Pouco importa o que é melhor para o Município. O que importa é o momento. É o curto prazo. Ah! Até na política o planejamento é desconsiderado na terra do visionário e estadista Olímpio Garcia Brandão. Sintetizando, nesse cenário, o bom senso indica três caminhos, três alternativas, para a Santa Terrinha. Vamos lá.

Hipótese 1 – Se a cidade conseguir eleger um patrocinense deputado estadual e um patrocinense deputado federal, ótimo! Nenhum candidato fez ou faz mais para Patrocínio do que fizeram ou fazem Silas Brasileiro, Romeu Queiroz, Deiró Marra e Paulo Pereira. É a melhor via para o êxito dessa terra amada por gente como Amir Amaral, Enéas Aguiar, Michel Whady, Massilon Machado e Gerson de Oliveira.

Hipótese 2 – Se o soberano eleitor não se simpatizar com algum candidato patrocinense (o eleitor tem direito a isso), há bons exemplos de gente forasteira que fez muito por Patrocínio. O incrível José Maria Alkmim é o mais expressivo nome. Lourival Brasil (Estrela do Sul) e Homero Santos (Uberlândia) também podem ser citados como benfeitores. Claro, isso no passado. No presente, Marcus Pestana, o homem de 20 milhões de reais em Patrocínio, não pode ser esquecido (mesmo que ele não peça apoio, não peça nada, ou mesmo que as lideranças tentem ignorá-lo).

Hipótese 3 – Se a opção for novos candidatos, a sorte de Patrocínio se iguala à loteria. Pode dar certo. Pode dar errado. Como nas duas eleições passadas para deputado.

Sintomas – O Município merece e padece de união. De força. De espírito rangeliano. De trabalho. De coração. Em prol da cidade. Isso seria maravilhoso. Mas parece que a divisão dos patrocinenses é a proposta. Ou melhor, é a aposta. Cada qual com cada qual. Vamos ver o que acontece. Dá a impressão que é brincadeira de carnaval.

Por fim – Em política, inúmeras cidades estão na faculdade. Algumas fazendo mestrado ou doutorado. Infelizmente, Patrocínio encontra-se no primário. Ultrapassada. Ou será que estamos vendo outro filme? Outro jogo? A terra natal evoluída, ética e pacificada sempre foi o nosso desejo. Continuamos sonhando, como se vê.


PALAVRA FINAL EM TRÊS LANCES


1 – Registro – Lamentamos a doença (cardíaca) do patrocinense Júlio Elias. Boa sorte no tratamento em São Paulo. Saúde total para ele.

2 – Atenção – Não devemos esquecer de combater o mosquito da dengue diariamente. Água parada, empoçada, jamais.

3 – Abandono – “Além do que você, Eustáquio, escreveu sobre a decadência de Serra Negra na semana passada e o descaso existente, a estrada pavimentada que liga a BR-365 ao hotel não existe mais”. Antônio Dias Caldeira, domingo, dia 21.

19 de Fevereiro de 2010

MAIS UM RETRATO NA PAREDE

Devaneio. Puro devaneio. Patrocínio, cidade turística. Patrocínio, cidade limpa e agradável. Patrocínio, estância hidromineral. Embora o momento é adverso para dizer alguma coisa. Pois, somente se fala que mineração é a salvação (?) do Município. Mineração gera receita. Gera empregos. Gera tudo de bom e nada de mau. Ah! Meu Deus. Ah! Patrocinenses que moram no Céu. Perdoem esses incautos. Eles não sabem o que falam ou fazem. Dito isso, vamos ao maior patrimônio ecológico de Patrocínio, um dos maiores de Minas. À Serra Negra. Ao hotel abandonado. Às águas minerais. Às matas (ainda!) na região. À Lagoa Vulcânica do Chapadão (está na UTI, quase sem vida). Desta vez, com a colaboração da Internet. Com muitas pessoas esclarecidas (www.skyscrapercity.com).

Antigamente Era Assim – O Hotel Balneário construído em 1935, em estilo missões, possui fontes de águas minerais (magnesiana, radioativas, sulfurosas e gasosas), banhos térmicos de água sulfurosa e de lama, duchas, lago, bosque de 30 ha, curral, criação de animais, produção de leite, queijos, doces, frutas e legumes. A reserva natural tem 274 ha. É um paraíso terrestre. Entretanto, hoje, esse divino lugar luta para sobreviver diante da fúria dos administradores de lavouras, dos caçadores de minérios, dos insensíveis e da incompetência instalada em Patrocínio há anos.

Frases Que Merecem Reflexão – “Graças ao fantástico trabalho que a Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais–CODEMIG realizou em Araxá, tenho esperanças de vermos outro pólo turístico se desenvolvendo no estado”. Palavras do internauta Vitor Hugo Reis, autor de 47 belas fotos, feitas no Natal e publicadas na Rede Mundial, sobre o abandono e a decadência do Hotel e Estância Serra Negra. Agora, falar em estatal em Patrocínio é pecado original. É proibido. Cemig e Copasa que o digam.

Continua o Bom Internauta... – “Meus avós e tios falam com muita nostalgia do hotel. Lembram da época de glamour e das celebridades (JK e Tancredo Neves, para exemplificar) que um dia passaram pelos seus salões. Consta que foi construído para suprir a demanda crescente da elite regional por um local mais refinado, visto que o Grande Hotel de Araxá não era tão próximo” (naquela época). Infelizmente, na atualidade, o hotel encontra-se em precário estado devido à questão judicial envolvendo herdeiros de Gentil Nascimento.

Opinião de Gente de Bem (I) – “A capital do café pode se transformar em importante setor turístico de Minas, se explorada sua produção tradicional, como turismo de negócios também. Poderíamos ter projetos ambiciosos para a recuperação da Lagoa do Chapadão (no topo da serra a 1.200m de altitude, na cratera de um vulcão com 6 km de diâmetro), do Hotel Serra Negra e tornar Patrocínio centro turístico. Com “tour” mostrando a produção de café, como ela é realizada. E também os engenhos na produção de rapadura e a (nossa) farinha preparada no tacho”. Deputado Silas Brasileiro ao repórter José Maria Campos – Difusora, em 19 de novembro passado.

Opinião de Gente de Bem (II) – “O balneário de Serra Negra é uma prioridade que não pode ser esquecida”. Governador em exercício, Antônio Augusto Anastasia, em discurso, quando da inauguração do Centro Regional Viva Vida D. Lica, em abril de 2009.

Engenheiro Uberlandense – Prosseguem as manifestações na Internet: “Gostaria de lembrar que a região é de grande importância para todo o País, já que irá ser implantado pela Fosfértil grande projeto de mineração, suficiente para dobrar a produção de fertilizantes da empresa, diminuindo a dependência de insumos importados. Não tenho noção da área que abrangerá a mina de Patrocínio, mas considerando, que mesmo sendo tombado, o Complexo do Barreiro (Araxá) teve a autorização de lavra da Bunge até à porta das Termas. Assim, afirmo que o futuro da Estância de Serra Negra pode estar com os dias contados. Tomara que os patrocinenses se mobilizem com o intuito de preservar esse patrimônio. Se o hotel fosse de domínio público, a Prefeitura poderia pedir à Fosfértil, como compensação pelos danos ambientais, a reforma (preservação) de todo o complexo”.

E mais... – “Acho que a instalação da Fosfértil é a última oportunidade daquele local se tornar viável. Transformar aquela região em um parque ou em área protegida já seria o primeiro passo”.

Enfim – Há expressões de diversas pessoas sobre a questão na matéria De BH, Patos de Minas, São Paulo, Presidente Prudente, Santa Catarina, Pará e de outros lugares. Todos são uníssonos. É lamentável o desrespeito à natureza tão bela.

Oração – Na casa dos verdadeiros patrocinenses é colocada outra fotografia na parede do tempo. Ao vê-la a velha guarda chorará. De saudade. A jovem guarda, a nova geração, se surpreenderá. De verdade. Pois, a natureza foi benevolente. Deus concedente. A cidade displicente. Com tamanha riqueza. Fazer o quê? Orar é a solução.
Serra Negra Ontem

Serra Negra Hoje

PALAVRA FINAL EM DOIS LANCES


1 – Palmas... – O futebol qualificado poderá ser praticado em Patrocínio novamente. Segundo a imprensa rangeliana, um grupo de idealistas, apoiado pela Prefeitura, tem como objetivo o campeonato mineiro. Primeiro, de juniores. Em nosso entendimento, deveria ser o CAP, a maior tradição esportiva do Município. Possível dívida com a desengonçada FMF o impediu. Futebol é tradição (Cruzeiro, Galo, Flamengo, URT, Mamoré, Patrocinense, Araxá e outros). Mas que venha o Patrocínio Esporte ou Patrocínio Futebol Clube. Aplaudimos também. E deixe o CAP nas competições amadoras. Por ora.

2 – Sonho – No JP, nas décadas de 80 e 90, justificamos e falamos muito da ligação asfáltica Serra do Salitre–Rio Paranaíba. Sempre achamos boa alternativa para BH. No Carnaval, a agência Minas na Internet, informou que o Governador em exercício, Professor Anastasia, garantiu o início das obras para o trecho de 60 km ainda nesse ano. Faz parte do Programa Links Faltantes/DER-MG. Boa notícia.

12 de Fevereiro de 2010

VIAGEM PATROCÍNIO-BH DUROU TRÊS DIAS

Novamente. Outro passeio pelo tempo. O veículo é a revista Presença, edição de março de 1993. Naquela época, cada exemplar custava Cr$ 50.000,00 (cinquenta mil cruzeiros). Que louca inflação! E mais, Romeu Queiroz deixava a presidência da Assembléia. Hélio Garcia era o governador de Minas. Marlenísio Ferreira lançava o seu livro Cisquim. CAP montava a equipe para o campeonato mineiro/93 (divisão de Cruzeiro e Galo). Patrocínio era prioridade para a reativação econômica mineira, segundo estudo do INDI e Cemig. Rádio Difusora apresentava o Show do Noite, com Luiz Antônio Costa e José Maria Campos. E a Coluna “De Volta ao Passado”, de nossa autoria, mostrava as priscas eras patrocinenses, reapresentada a seguir. Isso há 17 anos atrás.

1852 – Diamante – No distrito de Bagagem, pertencente a Patrocínio, é encontrado o mais famoso diamante do Brasil, denominado Estrela do Sul. No ano seguinte, é enviado para o Rio de Janeiro (Bagagem, que depois passava a ser chamada de Estrela do Sul, tornou-se município e cidade em 30 de maio de 1856).

Março de 1919: Ilustre – Dia 1º de março, morre Quintiliano Alves, um dos filhos de Francisco Alves de Souza, marco da inteligência patrocinense. Quintilano nasceu em 1852, no mesmo dia. Major da guarda nacional, em 1912. Criou a segunda Banda de Música patrocinense em 1898 (a primeira Banda foi fundada em 1860, por José Marçal Ribeiro).

1929: Escolas – No intuito de inibir a expansão da Igreja Presbiteriana na cidade, os padres holandeses do recém-criado Ginásio Dom Lustosa fundam o Colégio N. S. do Patrocínio, destinado às meninas, em 6 de janeiro. Logo em seguida, a escola é entregue às Irmãs do Imaculado Coração de Maria. E o Dom Lustosa inicia o seu terceiro ano letivo com 136 alunos matriculados, sendo 47 internos (residência na própria escola), 2 semi-internos e 87 externos.

Começo dos Anos 60: Futebol – A equipe do Flamengo (o maior celeiro de craques que Patrocínio já viu) está tão harmônica e jogando “por música”, sob o comando do lendário Véio do Didino, que Bougleux, júnior do Atlético Mineiro, tem que se contentar com a reserva no jogo com o Clube dos Cem, em Monte Carmelo. No segundo tempo, naquele distante domingo, ele entra e joga entre os titulares. Bougleux jogou ainda a Seleção Mineira, Santos e Vasco da Gama e autor do primeiro gol no Mineirão.

Março de 1965: Maior Viagem – A linha de ônibus ligando Patrocínio à Belo Horizonte só tem um horário por dia, pela manhã, em ônibus Ciferal do Expresso União. Na segunda-feira, após a semana santa, lotado com patrocinenses que vieram visitar a cidade no feriado, depois de passar em Rio Paranaíba e São Gotardo (ponto para o almoço) e enfrentar muita poeira (não havia a BR-262), o ônibus quebra próximo à cidade de Melo Viana (hoje, Serra da Saudade), por volta de 15 horas. Em Dores do Indaiá, via telefone arcaico, é solicitado um ônibus reserva, em Patrocínio, que chega na manhã do outro dia, terça-feira. Após a baldeação e mais algum tempo de viagem, o segundo ônibus pára também, com defeito mecânico, próximo à cidade de Luz.
O ônibus que saiu terça-feira de Patrocínio passa lotado pelo ônibus do horário de segunda-feira e não pode prestar socorro. Não havia outro ônibus reserva na garagem em Patrocínio. Já na manhã de quarta-feira, dois dias depois, sem dormir, sem banho, sem alimentação adequada, os históricos passageiros conseguem embarcar em um pequeno ônibus do Expresso Verde, da linha Luz-Belo Horizonte, chegando às 14 horas na capital.
Está terminada a viagem mais longa de ônibus, em todas as épocas, entre Patrocínio e Belo Horizonte. A mais inacreditável. Foram 53 horas na estrada! (Hoje, a viagem dura 5 horas).

1978 – Rodovia – Depois de justificar como argumentos técnicos e econômicos, a “Primeira Coluna”, do “Jornal de Patrocínio” em 24 de junho, conclui: “... é o momento de nossa liderança reinvindicar e clamar prioridade para a BR-462, trecho Perdizes-Patrocínio”. O engenheiro Olímpio Garcia Brandão atende à sugestão.

Abril de 1980: Inaugurações Inesquecíveis – Na comemoração dos 138 anos de emancipação política do Município, com as presenças do governador Francelino Pereira, vice-presidente da República Aureliano Chaves, diversos deputados e enorme público, são inaugurados o Palácio Brumado dos Pavões (sede da Prefeitura), o Palácio da Justiça Presidente Juscelino (Fórum), o novo prédio da Caixa Econômica Federal, a pavimentação de acesso à Minasilk e Sericitêxtil, a Escola Venina Amaral (Salitre), 150 casas populares do bairro Matinha I (e iniciadas mais 300 no Bairro Matinha II) e a pavimentação da rua Artur Botelho, acesso à Faculdade. A cidade está encantada com o progresso. Principalmente, o folclórico Pedro Alves do Nascimento no seu programa “Frente Patrocinense de Reportagem”, na Difusora. O prefeito é Afrânio Amaral.

Conclusão – Como documenta o transcrito acima, as décadas de 60, 70 e 80 não podem sair do pensamento de patrocinenses que pensam apenas no que é bom para Patrocínio.

29 de Janeiro de 2010

UM POUCO DE HISTÓRIA PATROCINENSE


Viagem. Pelo tempo. Vamos a Patrocínio de outrora. Nosso veículo é a edição de fevereiro de 1995 da Revista Presença. Época em que Joaquim Morato assumia a presidência da Câmara Municipal. A então VASP estudava colocar a cidade nas rotas aéreas. O vice-prefeito Ildeu Pinheiro abandonava a Prefeitura, discordando do prefeito. Silas tomava posse em Brasília e Romeu em BH. Luiz Oliveira passava da Rádio Capital (hoje, Rainha da Paz) para a Difusora. Sangue novo no CAP: presidente Malterson Silva e técnico José Ângelo. Betinho era o presidente da ACIP, de olho na prefeitura. E a coluna “De Volta ao Passado” (escrita por este escriba), de tanto sucesso, ia à era remota do Município. Como reproduzimos a seguir. Tudo isso, há 15 anos.

­ “1815 – Economia Patrocinense – Segundo o fazendeiro Damaso, as terras da região são propícias a todas as culturas. A produção é enviada a Paracatu (até então sede do Município), distante 250km. Apenas o algodão é exportado para o Rio de Janeiro, via Barbacena. O gado é a principal atividade, entretanto os marchantes vêm comprá-lo dos proprietários locais (inclusive carneiros).
­ 1819 – A Região – ‘A paróquia de Araxá (também pertencente a Paracatu) compreende duas sucursais, Patrocínio e São Pedro de Alcântara (Patos de Minas). Em 36 léguas de extensão não continha mais do que 4 mil pessoas. A maioria dos habitantes desta paróquia é de brancos, o que não surpreende, pois é vizinha da comarca de São João Del Rey, onde os brancos são mais numerosos do que as outras raças.’ É o que diz o botânico francês Auguste de Saint-Hilaire no seu livro “Viagem às Nascentes do Rio São Francisco”, página 224.
­ 1819 – Ainda Saint-Hilaire – A caravana de Saint-Hilaire segue de Araxá para o arraial de N. S. do Patrocínio, também chamado de Salitre. Um pouco à frente, o peão José Mariano vai a Patrocínio para procurar hospedagem. O vigário não pode recebe-lo, pois sua casa é muito pequena. Uma casa recém-construída é indicada a José Mariano, onde deixa as bagagens. Quando Hilaire chega, Mariano apavorado informa que a casa está cheia de bichos de pé. Por um instante todos têm os pés cobertos de insetos. Pela primeira vez, desde o Rio de Janeiro (a caravana partiu em 26 de janeiro de 1819), Saint-Hilaire e sua gente passam a noite ao relento. O cientista francês acha o povo de Araxá mais evoluído do que o de Patrocínio.
­ 1910 – Igreja Matriz – No largo da Matriz, a igreja com suas torres e três portas centrais reproduz o cenário de Vila Rica e Sabará. Segundo os historiadores, foi construída em 1823 (e destruída em 1935 para dar lugar à nova Matriz). À sua frente, existia um velho cruzeiro (destruído na década de 70).
­ Início da Década de 40: Primeiros Táxis – O primeiro ponto de carros de praça (táxis) está localizado na encascalhada Praça Honorato Borges, em frente ao Banco do Comércio e Indústria (o belo casarão é o mesmo ao lado do restaurante do Leitão, hoje). São seis automóveis, sendo um Chevrolet –1939 de João de Deus. Chevrolet –1938 de João Comprido. Ford–1938 de Emídio Santos–Patinho. Ford–1937 do Milton. StudeBaker–1932 do Fiínho Amaral. E Chevrolet–Ramona do Pedro. Os dois últimos carros com capota de pano e oito lugares cada. Os quatro primeiros tidos como carros fechados de luxo. Nessa época não há jardineiras, nem ônibus. Os carros levam cerca de 3 horas até Patos de Minas e 4 horas até Carmo do Paranaíba. Em 1943, surge o segundo ponto na Praça Santa Luzia, onde funciona o serviço de alto–falante (antecessor da Difusora), com o deslocamento dos choferes Fiínho e Pedro.
­ 1976 – PICUN – Dia 1º de Janeiro, morre em Almenara–MG. Embora nascido em Carmo do Paranaíba em 1920, Picun pertenceu à vida patrocinense. Nos áureos tempos do Ypiranga E. C., foi um vigoroso craque de sua defesa. Como seu irmão, alfaiate-modista Custódio Matias (criador da Corrida da Fogueira), também foi um bom alfaiate. Voz pausada, amante dos jogos de baralho, trabalhou ainda no Fórum e, na sua simplicidade, tornou-se servidor de confiança do então vice-presidente da República, José Maria de Alkmim, em Belo Horizonte, a partir de 1964. Conheceu de perto os bastidores da revolução militar de 1964 e as ‘tiradas’ do mais folclórico dos políticos brasileiros (Alkmim, deputado majoritário em Patrocínio nos anos dourados).”

PALAVRA FINAL EM QUATRO LANCES

1 – Registro – Agradecemos as palavras do secretário municipal Alcides Dornelas, por telefone. Segundo ele, leitor incondicional deste espaço.
2 – Expansão à Vista – Sempre defendemos que as empresas de ônibus de patrocinenses, espalhadas pelo Brasil, deveriam emplacar os veículos na Santa Terrinha. Questão de promoção/divulgação municipal. Questão de receita para a prefeitura. Questão até de geração de empregos para os conterrâneos. Sem nenhum ônus para os empresários. Embora, genuinamente patrocinense, o Expresso União tem feito isso. Entre suas linhas de destaque estão a BH-Brasília, BH-Vitória, Rio-Cachoeira do Itapemirim (terra do Roberto Carlos) e, agora em vias de concretização a Rio-S. Paulo. Segundo a Revista do Ônibus, a União já poderia estar ligando as duas maiores cidades do País, desde o começo do mês. Em substituição ao Expresso Brasileiro. Daí, parabéns à família patrocinense Constantino. Continue prestigiando à terra natal.

3 – Honra – O texto do e-mail do secretário municipal de Esportes e Lazer, Marcos Remis dos Santos, nos convidando para a inauguração do Programa Saúde na Praça, é diferenciado. Agradecemos.

4 – A Semana – Mudanças no secretariado de Aécio Neves. Marcus Pestana retorna à Assembléia Legislativa. Tempo restrito para este autor, inclusive para escrever. Mas, a Secretaria Estadual de Saúde está liberando mais R$ 200 mil para o Hospital do Câncer. Via convênio. É a SES mais uma vez beneficiando Patrocínio.

22 de Janeiro de 2010

SAUDADE NÃO TEM IDADE

Reprodução. Com permissão, transcrevemos o texto de José Elói Neto (Neto porque tivemos a felicidade de conhecer seu avô José Elói). A publicação se deu quarta-feira, às 18h, no jornal eletrônico Maisumonline.com.br. Por ser irreverente e informativo, o site é uma das grandes atrações do mundo virtual.

“O MAISUMONLINE encerrou na tarde desta quarta-feira (20) mais uma de suas enquetes virtuais. O tema da semana foi a história política do município. A pergunta era: “ Quem foi o autor da frase ‘patrocinense vota em patrocinense’, criada no início dos anos 80 e conclama o nosso povo da necessidade de se votar em candidatos nascidos em Patrocínio a deputado estadual e federal”.

Demonstrando estar sempre atento e antenado ao que aconteceu, acontece e ao que poderá acontecer no microcosmo rangeliano, o internauta escolheu a opção certa. O autor da antológica frase ‘patrocinense vota em patrocinense’ foi o atual colunista da Gazeta (na época titular da ‘Primeira Coluna no JP’) e blogueiro do POL, Eustáquio Amaral, que obteve 44%. Nossa enquete virtual somou 301 votos.

Conhecido e reconhecido como um defensor intransigente das causas de Patrocínio este patrocinense, membro da Academia Patrocinense de Letras, reside em BH há mais de 3 décadas, ocupando com destaque o cargo de superintendente de Planejamento e Finanças na Secretaria de Estado de Saúde, cujo titular é o deputado Marcus Pestana.
A frase foi criada num momento impar de nossa vida política, quando Romeu Queiroz e Paulo Pereira lançaram seus nomes à Assembléia Mineira. Para eliminar de uma vez por todas os candidatos “paraquedistas” que sempre aterrisavam em terras rangelianas em época de eleição, tirando daqui preciosos votos para depois não mais votarem, Amaral teve esse insight, registrado de imediato nas páginas do Jornal de Patrocínio. Pereira e Queiroz foram eleitos! E a frase virou chavão, um mote na cidade principalmente às vésperas de eleições majoritárias.

O tempo passou (passou o tempo), mas a realidade política patrocinense pouco ou nada mudou. Vira e mexe (ou mexe e vira), no período que antecede as eleições, recebemos aqui dezenas de candidatos de outras plagas, a grande maioria deles sem nenhum lastro ou compromisso com a cidade, mas com algum grupo e/ou liderança política.
Patrocínio tem hoje dois candidatos natos, concorrendo aos cargos de deputado federal e estadual, respectivamente Silas Brasileiro e Deiró Marra, ambos desenvolvendo um grande trabalho político.

Oxalá, Eustáquio Amaral, o Menestrel Rangeliano, possa reavivar, agora nas páginas da Gazeta, sua antológica frase, transformando-a mais uma vez no farol que guiará os eleitores de nossa santa terrinha, conduzindo-os no rumo de uma autêntica representatividade patrocinense na Câmara Federal e na Assembléia Mineira.” Texto do jornalista José Elói.

PALAVRA FINAL EM OITO LANCES

1 – O Bairrismo Chora – A imprensa local divulga que a COOPA, a Cooperativa Agropecuária de Patrocínio, avalisou à CEMIL construir a fábrica de leite condensado. Como a COOPA é uma das quatro cooperativas que formam a CEMIL de Patos de Minas, a expansão dessa favorecerá os produtores de leite patrocinenses. Que terão o (seu) leite consumido. Mas... mas... a geração de empregos e os impostos arrecadados não estão – nem estarão – em Patrocínio. Por ser a segunda maior produção de leite de Minas, o sonho de Pedro Alves do Nascimento, Sebastião Elói e deste escriba não era assim. Não seria isso. Patrocínio mereceu sempre ter a sua indústria laticínia. O resto tem pouca explicação.

2 – Referência: Diárias – As despesas com viagem estão na ordem do dia na cidade, tratando-se da Prefeitura e Câmara Municipal. Apenas para colaborar no esclarecimento, informamos a Tabela de Diárias do Governo de Minas. Qualquer secretário de Estado recebe R$ 337,50 se for a Brasília. É o teto. Se viajar a S. Paulo, Rio ou outra capital é R$ 270,00 para hospedar e alimentar. Quando viajar ao interior (Uberlândia, Patrocínio ou Lambari, por exemplo) recebe somente R$ 140,00. Se é funcionário, o teto é mais baixo ainda. É R$80,00 para alimentar e hospedar. E o melhor. Dá e sobra. Ninguém reclama.

3 – Dois Patrocinenses em BH – Crônica da editora Leida Reis recorda Esmeril. Lúcio Barbosa volta aos tempos das pitangas, mama-cadela, gabirobas, flores de gravatá e mangabas nas serras do Boqueirão. É a Patrocínio Ecológica no jornal Hoje em Dia (BH).

4 – ICMS – Betim, Belo Horizonte, Contagem, Ipatinga, Juiz de Fora e Uberlândia são os municípios de maiores VAF’s do Estado. Na região Triângulo-Noroeste são Uberlândia, Uberaba, Araxá, Araguari, Iturama, Paracatu, Unaí, Patrocínio, Ituiutaba e Patos de Minas. Nessas relações apenas Paracatu poderia ser considerada município onde predomina a mineração. Interessante. Interessante mesmo!

5 – Receita – Em 2009, até dezembro, Patrocínio recebeu R$18.114.661,00 de ICMS e R$ 281.239,00 de IPI/Exportação. Patos recebeu um pouco mais. Todavia, como já antecipamos, em 2010, Patrocínio receberá ICMS superior a Patos de Minas. A situação se inverterá ligeiramente.

6 – Recordar é Viver – Paulo Roberto é o técnico do Ituiutaba (forte equipe) no campeonato mineiro/2010. Na terça-feira, em entrevista à Rádio Itatiaia, apresentou sua trajetória em Minas. Destacou sua passagem pelo Patrocinense (CAP). Bons tempos em que o grande futebol era praticado na cidade.

7 – Atenção Máxima – Já acabou com a dengue hoje? Mantenha a limpeza de seu lote. De sua casa. Isso é o remédio.

8 – Que Calor, hein!? – Como fazem falta árvores nas ruas e avenidas da cidade. Parece que a natureza por aqui não tem vez.

15 de Janeiro de 2010

SONHO DE VERÃO


Reflexão. Sobre o cenário político de Patrocínio. É mais uma dentre algumas que desfilam pela cidade. Na verdade, ela sustenta a mudança do modelo de exercer a política. E não necessariamente de pessoas.

Visão Principal – Seja para deputado neste ano, seja para futuro prefeito, o respeito ao dinheiro público é o primeiro mandamento da lei de Deus e dos homens. Pouco adianta discutir se é fulano ou beltrano o melhor. O melhor é, sempre será, aquele que fizer ou trazer benefício para Patrocínio. Sem levar vantagem. Aquele que amar Patrocínio sobre todas as coisas terrestres, principalmente as coisas pessoais.

Mais Visão – Esse ou aquele político pode (até) não ser a melhor solução. Mas se é probo, seus pecados poderão ser perdoados. Ao contrário dos que causam danos ao Erário. Esses são imperdoáveis, pois prejudicam ou poderão prejudicar à população inteira. São nefastos.

Clareza é Indispensável – Em política, não se pode ser contra ou a favor do ciclano. O bom cidadão, o sábio eleitor, tem que ser contra ou a favor de métodos ou de modelos que um ou outro adota para administrar ou fazer política. O Município (e o País também) merece transparência, ética e bom uso da máquina pública. Bom uso em nome de todas as pessoas que habitam essa terra. “Bom uso” expressado de forma direta é “gestão com honestidade”. Pois dinheiro público é sagrado. Vêm de impostos e taxas que cada cidadão paga.

Afinal – Sonhar é preciso. Sonhar com homens públicos públicos. Homens que apenas pensam no coletivo (em todos). Homens que mereçam ouvir pelas ruas da cidade: Nesse! Nesse! Eu confio!

E Mais... – Não apenas o político, mas também o administrador público (por exemplo: presidente da Cemig, diretor de um hospital ou escola, etc.) precisa de saudável espírito público. O que é de todos tem que ser respeitado. E até louvado.


PALAVRA FINAL EM SEIS LANCES


1 – ICMS Cultural – Termina hoje o prazo para as prefeituras enviarem ao IEPHA/MG a documentação para análise e pontuação. O repasse de recursos de ICMS Cultural é calculado considerando a criação de lei municipal de patrimônio cultural, existência do conselho municipal, programas de educação patrimonial, inventário de proteção ao acervo cultural e tombamento de bens culturais. Por ser a 4ª cidade mais antiga do Triângulo-Noroeste, Patrocínio precisa preservar a sua história. Tomara que as lideranças culturais do Município estejam se interagindo com o IEPHA, de maneira eficaz. Já é hora.

2 – Destaque – A jornalista patrocinense Leida Reis é editora do Caderno Minas do jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte, às segundas-feiras, escreve belas crônicas. Nessa semana, sob o título “Lembrando, Recordando, Memorizando”, ela volta ao seu tempo de criança numa fazenda em Esmeril. O verde da mata, a chuva, a pamonha, a gabiroba, as amoras, as pescarias de lambari e as viagens a Água Suja fazem parte de seu passeio pelo tempo. Próximo mês, ela lançará um livro.

3 – Quanta Honra! – O muito lido Maisumonline está fazendo enquete histórica. O diretor José Elói Neto colocou o nome deste escriba no meio dos deuses da comunicação patrocinense. Somente de estar entre Sebastião Elói, Pedro Alves do Nascimento, Joaquim Assis e Joaquim Machado é muito prazeroso. Todos quatro amigos de sempre.
4 – Saúde – A dengue está aí. A prevenção é tudo. O cuidado de cada pessoa, de cada cidadão (com a limpeza), é mais importante que a ação da Secretaria de Saúde, de qualquer lugar.

5 – Registro – Em janeiro de 1984 faleceu em Araguari, Dom Almir Marques Ferreira, até então bispo de Uberlândia. Portanto, há 26 anos. D. Almir é o primeiro bispo patrocinense. Na década de 20, foi “coroinha” do emblemático Monsenhor Joaquim Tiago.

6 – UAI!? – Recursos para Patrocínio somente nos anos de eleição! Que nos outros três anos continuem chegando do mesmo jeito.

08 de Janeiro de 2010

AVE! CIDADE DE PATROCÍNIO, ANO 136


Aniversário. Da Santa Terrinha. Da (nossa) terra. Dia 12 de janeiro (terça-feira), Patrocínio comemora 136 anos como cidade (em abril, comemorará 168 como município). Mesmo sendo uma data cívica e municipal muito importante, apenas o ícone da imprensa rangeliana, Sebastião Elói, e este teimoso escriba têm prestado homenagem à história patrocinense. A seguir, um pouco do que escrevemos no Jornal de Patrocínio e Revista Presença, desde 1978.

Antecedentes – A cidade foi instalada 32 anos depois da emancipação municipal de 7 de abril de 1842. E 206 anos após o primeiro homem civilizado pisar esse chão. Que foi o bandeirante Lourenço Castanho Taques, a caminho de Paracatu, em 1668.

Município – Ao emancipar-se de Araxá, pela Lei Provincial nº 171, de 23/março/1840, foi criada (também) a Vila de N. S. do Patrocínio. À época, havia 357 casas. O primeiro presidente da Câmara Municipal e agente executivo (prefeito), foi o capitão Francisco Martins Mundim. Segundo alguns historiadores, a prefeitura e a residência do mandatário localizavam-se no casarão do Largo da Matriz, atual Casa da Cultura.

Conturbação (I) – De 1842 a 1874, diversas ocorrências na Vila tornaram-se históricas. Em 1852, no distrito patrocinense de Bagagem (hoje, Estrela do Sul), foi encontrado o maior diamante do Brasil naquele tempo e um dos maiores até agora. Por causa do tráfego de pedras preciosas, havia muitos bandidos nas estradas (caminhos) da região. Entretanto, surgiram corajososos voluntários de Patrocínio que venceram (eliminaram) o principal bando, em 1853. De outro lado, a lendária Dona Beja tem a ver com Patrocínio. Nesse período, ela residia em Bagagem (pertencia a Patrocínio) e suas viagens tinham a rota Araxá–Patrocíno–Bagagem. Em 1858, Estrela do Sul emancipou-se de Patrocínio, levando consigo Araguari e Monte Carmelo.

Conturbação (II) – Pela Lei 1291, de 30 de outubro de 1866, surgiu o município de Patos, também desmembrado de Patrocínio. A família Maciel teve decisiva participação na emancipação. Antes, porém, aconteceram diversas sedições (movimentos bélicos, batalhas), chamadas também de “fogos”. Há versões históricas de que a Vila de N. S. do Patrocínio foi invadida pelos patenses em busca da liberdade. De certo, segundo Tião Elói, teve o “Fogo do Mundim” em 1855. Por volta de 1865, houve trinta horas de ferrenho combate. Quando 60 patrocinenses resistiram heroicamente a invasão de 140 pessoas armadas, sob o comando de dois juízes. O Largo do Rosário (hoje, Praça Honorato Borges) foi o palco principal do tiroteio.

O Epílogo – Passados as três décadas de lutas, em 13 de novembro de 1873, foi criada a cidade de Patrocínio, pela Lei Provincial nº 1995. Oficialmente, instalada em 12 de janeiro de 1874.

Primeiros Passos da Cidade – Padre Modesto Marques Ferreira era o vigário da Paróquia N. S. do Patrocínio. Bernardo Bueno da Silva, político patrocinense de prestígio na capital mineira (Ouro Preto), tornava-se o primeiro agente executivo da nova cidade, além de vereador. Antônio Oliveira Pinto Dias era o juiz municipal.

Já É Tempo – O Dia da Cidade deveria ter uma agenda cívica simples. Pelo menos. Alvorada com a Banda de Música Abel Ferreira desfilando pelas principais vias e encantando a população. Hasteamento das bandeiras do Brasil, Minas Gerais e Patrocínio. Foguetes. E muito